sexta-feira, dezembro 02, 2011

TENHO UM NOVO BLOG! QUEIRAM POR FAVOR IR A OACORDADO.WORDPRESS.COM !

quarta-feira, abril 27, 2011

The end !

Pois é, este é o meu último post neste blog. Termina aqui esta saga iniciada há sete anos, quando decidi inicar um blog que seria apenas "mais um" na face deste planeta, talvez o 1 321 434 645 545 434º blogueiro a aparecer. Mas este blog termina oficialmente hoje. A todos quanto o leram, muito obrigado pelo vosso interesse nas "proezas da minha vida", mas penso que, nas circunstâncias actuais, devido à reduzida frequência com que o actualizo, não vale a pena estar a preocupar em actualizá-lo. Não vou apagá-lo, mas já não vão saber novidades minhas por este intermédio. A partir de hoje, vou ser apenas um anónimo cujos acontecimentos de vida serão banais e não merecem que eu perca mais tempo a relatar o que foi. Uma vez mais, obrigado pelo vosso interesse e até à próxima, até "eu passar por aí", como diz o Rio Veloso ao encerrar os concertos dele.

segunda-feira, novembro 08, 2010

"Rede Social" Filme

NOTA: se ainda não viu o filme, por favor não continue aleitura, depois não venha para cima de mim com um comentário inflamado de que lhe fiz perder as suas expectativas acerca do filme. Aqui falo propositadamente da cena final do filme. SPOILERS ! SPOILERS ! SPOILERS ! SPOILERS ! (acho que chega!) Acho que simplesmente não consigo deixar o dia terminar sem ter de deixar aqui o meu comentário sobre o último filme que vi esta tarde, na sala 9 dos cinemas do Corte Inglez intitulado "A rede social" (do original inglês "The social network"). Tinha que ser este filme que me fez voltar a uma sala de cinema quase dez meses depois, depois de ter visto "Avatar". Já tinha ouvido falar dele por altos há uns meses, não pensava que a estreia fosse feita "tão cedo", mas quando li o comentário do Nuno Markl no Facebok que estava super-ansioso de o assistir, admirei-me imenso. Mas não importa, já tinha colocado no meu programa que tinha de ir ver o filme num prazo breve e assim o fiz esta tarde. Tenho de confessar que, momentos antes de ver o filme, começo a perspectivar como irá decorrer... e quanto este, esperava muita intriga, e muitas cenas com conversa entre "maluquinhos dos computadores" que muito bom público não iria perceber... bem, quanto a intriga houve e as cenas a ver com as matérias e os temas da minha profissão afinal não foram tantas por aí assim... mas o filme era muito denso em termos de quantidade de informação a ser disparada por unidade de tempo, mesmo tendo em conta os tempos de hoje em que convivemos com tremendas quantidades de informação a serem bombardeadas nos nossos cérebros em pouco espaço de tempo... de forma que, mesmo perdendo alguns pormenores por aqui ou por ali... consegui acompanhar o filme do princípio ao fim quase sem dar o tempo por passado... o que tendo em conta que o filme durou 115 minutos, foi muito bom... Para mais penso que o uma das principais razões pelo facto de ter gostado do filme era ser realizado por um dos meus três realizadores de referência (ele pertence ao leque dos três "David's": David Lynch, David Cronenberg e David Fincher - cada um com o seu estilo mais particular que o outro, mas o Fincher é de todos o menos heterodoxo) - a densidade do filme fez-me lembrar muito o último filme dele "Zodíaco" e aquele tema musical dos Beatles a servir de epítome no final veio bem ao estilo do "Clube de Combate", outro dos filmes de eleição deste realizador. Por outro lado, Fincher consegue manter-nos o interesse na matéria narrativa do princípio ao fim, por mais "esquisita" que ela possa ser (o "jargão" dos infogeeks) - provavelmente fruto da sua experiência como realizador publicitário, ao conseguir tornar interessante qualquer matéria que não nos desperte o mínimo interesse inicial. E interessante também a abordagem de Fincher ao colocar o fio principal da história entrecortado com as cenas futuras que se passam nos depoimento para os processos judiciais que os "amigos" de Mark Zuckerberg lhe vão interpondo - isso assim evita a redundância de se repetir em "flashback" as cenas iniciais do filme que interessam como "prova" para as alegações referidas nos tais depoimentos. Mas, mais uma vez, o filme merece ser visto não só por ser realizado por Fincher, mas também para percebermos a história por detrás de ser possível como é que um "miúdo" de 26 anos é neste momento o multimilionário mais jovem do planeta. Em suma: 5 estrelas, e, por mim, merece figurar na lista de 5 nomeados a melhor filme. Um último parágrafo a acrescentar: a ex-namorada de Mark, Erica Albright, afinal não é personagem ficcional: existe mesmo na realidade e ela refere no site pessoal, entre outras coisas interessantes, que Mark, mesmo depois de já ter um perfil no Facebook, nunca lhe enviou nenhum pedido de amizade pessoal no Facebook.
Site pessoal de Erica: http://ericaalbright.com/
Conta pessoal de Erica no Facebook: http://www.facebook.com/#!/profile.php?id=100001661371340
Presença de Mark no Facebook: http://www.facebook.com/markzuckerberg

quarta-feira, outubro 06, 2010

Já tenho companhia em casa...

... a partir de hoje, já não estou mais sozinho no meu T0. Acontece que neste momento outro ser vivo partilha esta agora comigo. Que ser vivo será esse !? Não, não é um cão, porque iria fazer muito barulho e largaria bastante pêlo, para além do facto de não suportar ficar sozinho. E não, também não é um gato, se bem que poderia suportar melhor a solidão que um cão, mesmo assim iria sujar a casa, e é preciso ver que a casa não é na realidade minha, é arrendada. E, não, também não é uma ave, se bem, que já não se importasse de ficar sozinha, e ainda me poderia animar cantar todas as manhãs, iria exigir que lhe desse de comer e limpasse a gaiola. E, uma vez mais também não é um peixe de aquário, porque eu não tenho qualquer experiências em tomar conta de semelhantes animais nem das artes de manter um aquário. Excluindo todas estas hipóteses, ainda não se deram conta do que possa ser este ser vivo !? Pois muito, é um pequeno vaso de hortelã, aquela erva aromática que se costuma como tempero em sopas e também é boa como infusão. Acontece que de vez em quando faço canja e gosto de um travo de hortelã no caldo da canja, e como a hortelã que compro nas mercearias é sempre em grandes quantidades e só dura uma semana, decidi cuidar de manter um vaso com hortelã, de forma que agora tenho hortelã sempre que precisar: para pôr na comida e para fazer chá. E, para além do mais, tenho de ter cuidado em lhe dar o "amor" que ela precisa: água e sol todas as semanas. E, mesmo assim é um ser vivo de que preciso de tomar conta. Não canta, não preciso de lhe fazer festa, nem ronrona, mas mesmo assim, o que interessa é que já não estou sózinho mais em minha casa !

domingo, setembro 19, 2010

Hattrick - crónica de um viciado

Nunca gostei nem nunca tive muito jeito para matraquilhos, tenho que confessar, mas isso não me impediu de participar nesse simulador de gestão de uma equipa de futebol chamado Hattrick ! Podem-lhe chamar o "CM" on-line e foi-me apresentado por um amigo meu, nos termos "Eh pah, não queres experimentar num jogo on-line em que tu fazes de conta que és o manager de uma equipa de futebol. Podes criar uma equipa, comprar e vender jogadores, participas num campeonato e podes ser promovido. Tem lá tudo quase como se tu gerisses uma equipa de futebol a sério. A princípio acho que não fiquei muito entusiasmado com a ideia, mas mesmo assim quis experimentar, ora deixa-ver, essa cena chama-se hattrick, certo !? Deixa cá ver: hattrick no Google deu-me como primeiro resultado www.hattrick.org . "Todos merecem ter a sua equipa de futebol". Ganda cena. Eu quero a minha já, servida com equipamento azul e verde, à lá Sporting, e num campo de futebol com o nome do meu bisavô, que contribuiu para fazer crescer a minha terra: Sebastião Viana. E assim nasceu o Sporting Clube Cabaneiro, pequeno clube inicialmente apenas com 500 sócios, a maioria pescadores, mas mariotariamente constituída por jovens, e que, como forma de homenagem ao meu bisavô, o homem que inventou essa grande nova técnica de pesca ao polvo conhecia como Teia, o estádio começou por chamar-se Campo de Jogos Sebastião Viana, com 11000 lugares, a maior parte de pé. O que é que havia de se esperar de um clube que começa na X Divisão (no Hattrick não há regionais!). Devo dizer que depois de ter feito nascer no ciberespaço o Cabaneiro, acho que só voltei a entrar no meu escritório virtual de manager do Cabaneiro cerca de uma semana depois: eu era um programador muito ocupado a tratar de melhorar as estruturas informáticas da Segurança Social e por isso deixei aquilo só para quando me lembrava - praí uma vez por semana, não mais do que isso. Eu ainda não podia, na altura ainda mexer fazer alinhar onzes titulares - ainda tinha de completar a licença de manager antes de poder fazer isso. O que é certo é que a licença chegou muito atrasada - levou ao todo dois meses para tirar, pois quando chegou já a época tinha terminado e a minha equipa conclui a sua série da X divisão num modesto quinto lugar. Não sei o que fiz, mas os deuses do Hattrick decidiram dar das suas graças e na época fui automaticamente promovido à IX, e agora, finalmente, com a possibilidade de mexer no plantel, comprar e vender jogadores. Tah, tah, tah ! Tinha agora, e finalmente uma equipa inteirinha sob o poder dos meus dedos no teclado. E podia comprar e vender jogadores txarramm !!! Além de certos conceitos que para mim é como a conversa da rua para um gajo como eu que já é treinador de bancada há mais de 20 anos como criatividade, ala, lateral, dei de cara com conceitos como TSI, que tenta dar um valor numérico do nível de um jogador. E o que é certo é que vi que tinha jogadores bons: tinha para lá um Pedro David Monteiro, com TSI de 4000 e tal e um Raul Vieira, com TSI de 2000 e tal ! ExtRRRRaordinário, pensei eu ! Já tenho dois carregadores de piano, vão ser os meus médios criativos, pensei eu. E assim foi, e o resto é história: conclui a série nos dois primeiros lugares que davam acesso à subida para a VIII divisão. Só não terminei em primeiro porque perdi um jogo inesperadamente. E comecei a gostar tanto daquilo que me tornei sócio do Hattrick, a pagar: dei 10 aéreos aos deuses do Hattrick e eles deixaram-me ver as caras dos meus queridos jogadores. Não morri de amores por eles, claro, porque sou, apesar de tudo, heterossexual, mas fiquei agradado com o que vi: pelo menos não havia lá nenhum jogador com penteado à Abel Xavier (enganei-me, ele agora passou a ser mouro, como é que se chama, ah, é verdade, Faiçal). Fora este àparte, achei que eles tinham cara para poderem disputar o desafio seguinte: aguentarem-se na VIII divisão. Por isso, comecei com pézinhos de lã a disputa pela sobrevivência na VIII divisão, porque agora já não havia bonomias, estava a disputar uma série com outros managers adversários humanos (no hattrick, existem equipas controladas por "bots", isto é, que são controladas por software, fazem a vez daquilo que se chama "jogar contra a máquina"). Venci o primeiro jogo por 3-0, e quando dei por mim ao fim de 7 jornadas, a primeira volta (o campeonato todo tem 14 jogos) já era líder incontestado da série, invicto só com vitórias e 21 pontos. Decidi então abrir mais os cordões à bolsa e largar 30 aéreos para os deuses do Hattrick e mandei-lhes um postal de felicitações. Assim tinha direito a ver as caras dos meus queridos jogadores por mais um ano (ou 4 épocas, ah é verdade: esqueci-me de dizer, no mundo do Hattrick, um ano dos nossos corresponde a 4 deles, de forma que um jogador cumpre 4 anos num ano dos nossos). O que é certo é que não consegui ganhar a série com o recorde absoluto só com vitórias em todos os 14 jogos, porque tive o azar, uma vez mais, de perder o jogo logo contra a mesma equipa que vencei na abertura do campeonato. Equipa essa que me moveu uma perseguição só dó nem piedade e consegui passar-me à frente no photo-finish, vencendo-me em cima da meta, porque apesar de ter os mesmos pontos, tinha melhor diferença de golos, e daí venceu a série, e passou automaticamente. E eu fiquei à espera da repescagem, e de ser promovido à VII divisão por ter sido um dos melhores segundos classificados. E é neste ponto que me encontro, a disputar a VII divisão. Ao fim de cinco jornadas, apenas uma vitória e quatro derrotas: maravilha, sabem onde estou, adivinharam, não era difícil também sou o lanterna vermelha ! Acho que não vale a pena lançar-me em rezas para os deuses do Hattrick, para que me ajudem e façam-me lá uma perninha para não descer de divisão. Mas inevitavelmente, e apesar de ainda faltarem nove jogos e muita coisa poder acontecer: acho que não me resta outra hipótese ! Os adeptos da minha equipa virtual já puseram vendas nos olhos, pois não querem ver o que se vai passar a seguir... a queda no abismo da VIII. Mas paciência, é preciso ver que quando é sempre a subir, mais tarde ou mais cedo vemos que fomos alto demais e lá temos que descer de novo até encontrar uma altitude mais adequada para as nossas capacidades. E neste momento, o que tenho de dizer é que se descer não vou desistir por causa. Vou é começar a vender os melhores jogadores e apostar nos jovens e a juntar guito, para na próxima época, uma vez na VIII divisão, ter finalmente uma equipa digna da VII divisão, pois aí hei-de vencer todos os jogos sem mácula - e depois irei poder manter-me na VII ! Ter uma distraçãozinha destas, pelo menos uns 10 minutozinhos por semana, para não dizer por dia, vale sempre a pena ! No fim disto tudo, convido-vos a darem uma volta pelas instalações do meu clube, o Sporting Clube Cabaneiro, não vão é poder ver as caras dos jogadores, porque eles estão irritados e puseram máscaras cinzentas por cima dos rostos, porque não serem identificados como pertencendo ao clube que é lanterna vermelha desta série da VII divisão do Hattrick Português. Ora cliquem aqui para darem uma vistinha: Sporting Clube Cabaneiro ! E olhem que faço bem melhor figura que na Liga dos Últimos !

quarta-feira, agosto 18, 2010

Um dia que não foi rotineiro

Lisboa costuma ser uma cidade bastante calma neste mês de Agosto, em que todo o seu trânsito desaperta bastante daquela confusão costumeira em todos os restantes meses do Ano, uma vez que nesta altura a maior parte dos habitantes da capital encontram-se a calcorrear as estradas do litoral algarvio. Apesar de tudo, tem sido neste mês que tenho percorrido as estradas da capital, uma vez que não tenho férias este mês. Este teria sido mais um dia corriqueiro como outro qualquer na capital, se não fosse por dois acontecimentos: primeiro, ao atravessar Monsanto, depois de passar por cima da A5 e virar na rotunda do lado norte na direcção para Benfica, deparo-me com um esquilo em agonia na berma da estrada. Coitado do bicho, estava no estertor da morte, pois devia ter levado uma pranchada de outro automóvel há menos de cinco minutos, da qual não saiu ileso, muito pelo contrário, custou-lhe a vida. Para mim ver um esquilo ainda é uma coisa do outro mundo, tipo ver um unicórnio, porque no Algarve de onde sou natural não há esquilos. Por isso fiquei muito transtornado, quando vi bichinho tão engraçado a morrer ao lado da estrada. E eu fiquei com ideia que já tinha deparado com o mesmo esquilo outro dia, porque de manhã, quase no mesmo local, um esquilo, por sinal o mesmo, ia-me pregando um valente susto quando vi uma coisa com orelhas e rabo comprido peludo aos saltos para dentro da estrada. Mas, pelos vistos, e infelizmente, desta vez não teve a mesma sorte de outro dia. Infelizmente, para o nosso amigo esquilo, que neste momento já deve estar aos saltos algures numa árvore dos jardins do Éden. Mas falta o segundo acontecimento, do qual já me ia esquecendo de relatar aqui: já depois de sair de Monsanto, e depois de passar pela igreja de São Domingos de Benfica, a estrada que desce de Monsanto vai-se juntar à estrada de Benfica depois de passar por baixo em viaduto por baixo da linha de comboio. Nesse local, para quem vai em direcção à estrada de Benfica, a estrada em vez de duas faixas passa a ter apenas uma. Pois, nesse mesmo local, um fulano num automóvel branco comercial, ultrapassa-me perigosamente antes de se fazer à curva para depois subir em direcção à estrada de Benfica. Claro que não estava à espera era com o que me deparei de seguida, o fulano devia ir apressado por este ou aquilo motivo, e desaparece imediatamente na curva. Mas qual não é o meu espanto quando vejo o mesmo fulano, já depois da curva, lá em cima, já a sair do viaduto, parado sem mais nem menos em frente a um sinal verde, não sei à espera do quê. Quer dizer, o senhor fulano estava com tanta pressa que primeiro me faz uma ultrapassagem perigosa, mas depois está parado sem mais nem menos, à espera que chova, num local onde menos se espera. Claro que eu achei que deveria ser merecedor de uma buzinadela, e presentei-o com o devido som. Não tava era é à espera de ser presenteado imediatamente com um braço peludo a estender-se para fora do vidro lateral esquerdo e a mostrar o viril dedo do meio na posição desejada. Mas, obviamente, e depois de se dar por satisfeito, o proprietário do dito braço voltou a recolher-se para dentro do seu automóvel... Enfim, e passou-me pela mente, antes de acontecer os ditos factos, a preocupação de não actualizar este blog já há algum tempo e, de um momento para o outro, como que querendo atender às minhas preces, o Destino decidiu (e infelizmente para o esquilo, que foi desta para melhor) presentear-me com dois acontecimentos merecedores de passarem à posteridade neste local!

sexta-feira, julho 02, 2010

O maltrapilho que sabia ler

Estou entre o pessoal que agora desatou a reler Saramago só porque o homem morreu. Mas não comprei nenhum livro dele, aproveitei um dos que já tinha lá para casa e que os meus pais adquiriram. Optei por aquele que marca o início da carreira a sério de Saramago, Levantado do Chão, onde fala da vida dos trabalhadores rurais da aldeia alentejana de Lavre na primeira metade deste século. Recuperei o hábito de ir de autocarro, porque voltei a trabalhar no centro de Lisboa, o que me permite ir desfrutando da leitura enquanto não atinjo o meu destino. Lembro-me de estar algures entre o Casal Ventoso e Campolide, enquanto estava a ler este parágrafo de Saramago:
O povo fez-se para viver sujo e esfomeado. Um povo que se lava é um povo que não trabalha, talvez nas cidades, (...) É preciso que este bicho da terra seja bicho mesmo, que de manhã some a remela da noite à remela das noites, que o sujo das mãos, da cara, dos sovacos, das virilhas, dos pés, do buraco do corpo, seja o halo glorioso do trabalho do latifúndio.
Devo ter desviado a atenção por uns breves instantes para o vidro da janela, mas foi o suficiente para me deparar com uma imagem improvável: um maltrapilho, todo sujo, barbudo e cabeludo, a folhear um daqueles jornais de distribuição gratuita. Uma vez que o autocarro em que eu seguia ia a passar rapidamente, não deu para atentar mais, mas pareceu-me que o vagabundo estava a ler o jornal.
Sinal dos tempos, pensei eu, ao contrário, se bem que o ambiente narrativo descrito por Saramago seja no campo e não na cidade, e o nosso maltrapilho, para não dizer sem-abrigo, não trabalhe nem se esforce como as gentes do campo há cem anos, e portanto a sua sujidade seja fingida e imerecida, ao contrário de João Mau-Tempo, personagem do conto de Saramago, não deixa, no entanto, de mostrar o contraste com outros tempos: actualmente toda a gente sabe ler, mesmo um maltrapilho sabe, e toda a gente tem acesso à informação, tal como o nosso maltrapilho no meio da rua. E não é preciso muito esforço para o conseguir, se bem que na cidade exista muito mais possibilidade de um fulano saber mais coisas que no campo. Nada disto estava disponível a João Mau-Tempo, mesmo que tivesse sido pessoa de carne e osso em vez de viver numa folha de papel, há cem anos, em Monte Lavre.
E, por favor, não me venham comentar que a minha visão deste maltrapilho alfacinha é ingénua, porque o que ele se calhar estava mas é deliciar-se com as loiras do Destak do que a ver os preços das casas em Lisboa ou a ver um anúncio de emprego, ou a procurar a barbearia (ou melhor, cabeleireiro de homens, uma vez que os barbeiros já se extinguiram, pelo menos de nome, visto que hoje em dia toda a gente faz a barba em casa) barata mais próxima... muitas possibilidades se colocam ! Mas o que interessa é que pelo menos ele estava a folhear o jornal !

domingo, junho 27, 2010

Um dia...

Maria estava habituada a ir todos os dias de manhã cedo ao Mercado Local da terra comprar peixe fresco. Mas naquele dia, estranhamente, encontrou as bancas de venda de peixe estranhamente vazias, ao contrário do que era habitual. Incapaz de acreditar no que estava acontecer, quis entender porque motivo não havia peixe naquela manhã. Nem peixe, nem conquilha, nenhum marisco, e todos os barcos dos pescadores em terra... como o mar não ficava muito longe... aproximou-se do mar e começou a achar estranho a cor escura que substituía o habitual azul-esverdeado marinho que costumava colorir aquelas águas. Mas naquela dia, havia um negrume nas águas, e para além disso, um cheiro pestilento, semelhante ao que se sente nas estações de abastecimento de combustível. Mas naquele dia, o cheiro emanava parecia emanar das profundezas do mar. O Mar, que costumava dar vida a todos os seus filhos que vivem no seu seio, e com os seus frutos alimentar todas as criaturas que vivem em seu redor, ao invés de transmitir vida parecia difundir sinais de morte. Então, entendeu por aquilo que diziam, que estava a jorrar crude - que é o aspecto com que o petróleo sai em bruto do interior da terra - do interior do fundo do mar, proveniente de um furo escavado por uma plataforma de exploração britânica, sedeada em Gibraltar.
Isto é apenas uma historieta em dois parágrafos tentando recriar, mas transposto para a costa portuguesa, do ocorrido no Golfo do México, depois do derrame de crude provocado pela explosão na plataforma da BP. É apenas a tentar transpor para a nossa realidade quotidiana, daquilo que se passou no Golfo do México. Imaginem, por uns instantes, que vão deixar de comer peixe vindo do vosso mar... ! Não por uma semana ou duas, mas por meses, ou mesmo anos... não haveria mais sardinha assada por ocasião das festas dos santos populares, nada de festivais de marisco... e famílias de pescadores a morrer à fome... não haveria mais regatas de vela, nem desportos náuticas, nem praia... isto tudo por causa da falta de vontade de uma supercompanhia poderosa para saber limpar o mal que fez... e de ser incapaz de reparar o mal feito !

domingo, junho 06, 2010

Porque é que só as casas de banho públicas para homens têm urinol !?

É uma pergunta que, se fosse feita a alguém de vocês, provavelmente ficariam a rir-se na cara de quem fosse o seu autor de semelhante afirmação. Mas eu atrevi-me a fazer essa pergunta a mim próprio, na minha mente, num local que vocês, sendo inteligentes, deduzem facilmente qual foi. Então vamos ao que interessa. realmente também não é muito difícil perceber qual é a razão. Basta simplesmente porem-se no lugar de um proprietário de um bar aberto ao público. Se os bares tivessem apenas sanitas, estas estariam ocupadas muito mais vezes por causa das pessoas que vão lá apenas deixar uma simples mijeca, e para além disso, os assentos das sanitas estariam a maior parte das vezes sujos. Para evitar estas duas razões acima, sempre é melhor comprar uns urinóizinhos. O problema é que se nós, homens, fôssemos por um urinol em casa, as nossas mulheres haveriam de começar a mandar vir por achar que nós estaríamos a tornar aquela casa de nosso uso exclusivo. Já agora, porque raio, não inventam sanitas só para as mulheres usarem em caso de urinarem, de uso exclusivo por elas. Penso que seria uma opção interessante a considerar...

domingo, maio 09, 2010

O papa vem a Portugal, eu já sei...

... não se fala de outra coisa. Josephus Ratzinger, AKA Bento XVI, vem a Portugal esta semana, não fosse esta a semana em que calha o 13 de Maio, data a que já faltou menos possibilidades para se tornar feriado nacional. Mas o que me aborrece é estarem sempre a falarem deste assunto. E podem dizer: é matéria de grande interesse público uma vez que 90% dos portugueses são católicos, contando os que são e não são praticantes. Mas este tempo de antena exagerado a sua santidade, ainda antes de ele chegar já irrita. Não falta muito para que comecem a dizer que ocorram milagres: que o coxo deixe de coxear, que os cegos comecem a ver, que os burros comecem a deixar de o ser mal sua santidade toque solo português. Esta imagem de fervor religioso só vai deixar de ter tanta atenção se o Benfica for campeão hoje. É a imagem do fervor católico que existe nesta terra consagrada a Santa Maria, desde tempos primordiais. Mas tanto fervor pode descambar... eu pessoalmente nunca gostei muito deste novo papa, em comparação com o seu antecessor. Mas isso eu sei que não sou só eu, também muita gente tem saudades de Karol Wojtyła, mesmo sendo crente ou não.

segunda-feira, maio 03, 2010

A nova marginal... !

Cabanas de Tavira, diz-se, está em obras e tem uma nova marginal. Os que sabem, parece que vêm ver como é, para lhe tomar o gosto. Os que ainda não sabem, e que estão habituados a vir, conhecendo já Cabanas de outras andanças, ficam surpreendidos ! Pela positiva ou pela negativa, não sei ! Mas toda a gente se queixa do mesmo: o problema do estacionamento, crónico, não foi resolvido, só foi agravado, porque parece que quem fez os planos foi alguém que se limitou a ver Cabanas das fotos de satélite ou dos levantamentos que constam nas plantas municipais. Não veio cá de propósito para apalpar o terreno e ver como as coisas, são na realidade. Eu tenho acompanhado estas obras, praticamente, desde que elas começaram, logo a seguir ao fim do Verão, e tenho que dizer... que sou daqueles gajos que prefere dizer que o copo pela metade está meio cheio... que gostei pelo menos duma coisa... o passadiço de madeira que vai por toda a marginal de lés a lés. Eu experimentei-o e registei, em primeira mão, para todos vocês, que ainda não foram a Cabanas, num vídeo de 15 minutos, feito com a minha câmara digital Panasonic. Tenham paciência, não sou nenhum expert em matéria de comunicação, fiz o melhor que pude... desculpem a tremideira da imagem... para a próxima prometo fazer melhor ! Mas eu queria era mostrar aos que ainda não vieram a Cabanas qual o aspecto da "coisa", de forma que não sejam apanhados de surpresa como aconteceram até agora muitos. Vejam o vídeo e... entretenham-se ! Cá vai:

The new Cabanas Riverside... from Samuel Viana on Vimeo.

sexta-feira, abril 23, 2010

O taxista aviador

Já com oito meses de experiência a conduzir na nossa esmerada capital, hoje aconteceu-me um episódio insólito, inédito nas minhas façanhas, que passo a relatar: ia na estrada de Benfica, na faixa da direita, olho para trás e vejo um taxista a fazer sinal de luzes. Pensei que ele estivesse a fazer sinal por estar na faixa da direita, que é reservada aos transportes públicos. Virei para a faixa da esquerda, já não tenho paciência para tar a suportar os buzinadores por trás e ainda muito menos os manda-luzes por trás, deixei-o passar à minha direita. O que foi intrigante foi, ao passar-me pela direita, ao reparar que eu tava a olhar para ele, tira o braço esquerda para fora da janela do carro e começa a acenar-me para cima e para baixo, na vertical. Não percebi a natureza do gesto: fiquei com ideia que ele estava tipo como se tivesse asas e quisesse, dando ideia que conduzia uma máquina digna de levantar voo, a fazer o mesmo gesto que as aves fazem de bater as asas quando vão em vôo. Limitei-me a deixar seguir o nosso taxista aviador (que se calhar era o que ele queria ser em gaiato no momento em que "fosse grande"), e dizer: "mais um louco de lisboa", como parafraseia o Rui Veloso na sua canção.

segunda-feira, abril 19, 2010

Os quatro piscas... dá sempre jeito !

Da minha experiência de oito meses a conduzir regularmente em Lisboa existe uma imagem que é quase ubíqua em qualquer rua movimentada da capital: um carro com os quatro piscas ligados estacionado em segunda fila. É impossível o dia ou a hora em que eu não veja um tuga a fazer (ab)uso deste recurso, que não consta em nenhuma versão do código da estrada até agora publicado. É daquelas coisas que o pessoal (ab)usa, tal como não parar à entrada das rotundas, que é a infracção mais vulgar e que já ninguém acha problema. Mas hoje pessoalmente para mim foi demais, porque foi ver quatro(!) carros estacionados do mesmo lado da rua na Calçada da Ajuda em fila, todinhos à frente um dos outros ? Teria sido coincidência !? Eu às vezes pergunto se o emigrante português, lá fora, num país estrangeiros onde nós estamos em boa quantidade, como o Luxemburgo ou a Suíça, também (ab)usamos do recurso aos quatro piscas para parar. Não sei não, se calhar aí é diferente. É preciso ter cuidado para não se trazer os maus hábitos do nosso país de origem. Em Roma sê romano, lá diz o ditado. Quando estás num país estrangeiros, és como convidado em casa dos outros, e deves seguir os modos de proceder da casa onde és convidado. Mas, e bem vistas como são as coisas, quem é quer saber disso !?
Eu a ver um carro com os quatro piscas parado em França ou na Alemanha, quase de certeza, que vou perceber o que ele diz...

terça-feira, março 30, 2010

O Sítio do picapau amarelo ... !

Gilberto Gil e Caetano Veloso a cantarem um grande tema musical conhecido das crianças brasileiras dos anos 70 (e portugal dos anos 80). Para os anos 90 o grande tema musical das crianças portuguesas foi "O DragonBall Z". E desta última década o "Nodi".

O quintal das traseiras

A minha casa em Cabanas, que é uma vivenda com vista para o mar, deve ser ainda das poucas casas, na minha zona, que ainda dispõe de um quintal amplo nas traseiras. Passei muitas horas da minha meninice nesse quintal, se fosse contabilizar todo o tempo que perdi nele talvez acho que perdi metade de toda a minha infância nesse quintal. Actualmente e quando regresso ao quintal da minha meninice, é com grande pena que vejo um lugar completamente coberto por essas plantas malvadas chamadas ortigas. Foi neste sítio que tanta coisa boa e má se passou na minha vida, onde passava tardes infindáveis na companhia do meu avô paterno a falar de animais que ele adorava criar, como galinhas, patos e coelhos, entre outros. Foi também o lugar de brincadeiras com os meus irmãos e espaço para explorarmos todo aquele tempo maravilhosos das nossas vidas. É por isso que ainda me custa viver em apartamento, como hoje vive. Talvez o gosto pela liberdade e pelo contacto com a natureza terá nascido naquele pequeno palmo de terreno com pouco mais de 1000 metros quadrados. Infelizmente o meu avô paterno já partiu vai lá onze anos e dele ficou-me a saudade desses tempos que nunca mais regressarão. Pois é, aprendi a criar galinhas, coelhos e patos, um dia, quem sabe, esta civilização alimentada por combustíveis fósseis conhece a sua ruína e teremos todos de voltar para o campo. Eu ao menos já sei criar galinhas. Não precisar de jogar ao Farmville para conseguir isso... !Muitas histórias tenho eu aqui para contar a respeito do meu quintal. Lá ainda subsiste, desde a minha meninice, ainda, um tanque daqueles de cimento para lavar a roupa e um cacto que, quando eu era pequenino tinha só dois metro e meio de altura e que agora deve ter praí uns dez metros, tendo em conta que entretanto ramificou-se imenso. Mas o que me entristece mais é ver o sítio completamente coberto por urtigas de quase metro e meio de altura. É como se as urtigas tivessem sido lá postas de propósito para apagar as minhas memórias de criança!
Ainda me lembro do nome que lhe dei... "quintal dos 44 animais!", porque um dia decidi contar toda a bicharada que lá tinha e cheguei a conta de quarenta e quatro ! Continuou sempre a chamar-se o "quintal dos 44 animais", mesmo quando mais tarde podia ter mais ou menos animais que este valor exacto. Digamos que era o meu "sítio do picapau amarelo"!

sábado, março 27, 2010

A primavra, celebração ou trabalho ?

Só num destes fins-de-semana ao Algarve é que tenho oportunidade de atravessar zonas onde ainda se encontra um pouco de Natureza, fora da grande cidade de Lisboa sempre cheia de gente stressada a trabalhar, é que tive finalmente a oportunidade de ver a primavera em todo o seu esplendor. Em Lisboa não costumo ver andorinhas, cegonhas, campos floridos a perder de vista com o dealbar das cores, toda a vida a entrar em celebração perante a assunção do Sol como a sua época do ano eleita para iniciar a renovação de um novo ciclo. Parece realmente uma festa, campos floridos, o cantar dos pássaros, o céu de um azul cintilante, tudo convida a uma celebração. Por todo o lado parece haver alegria, e toda a vida parece ter entrado em celebração. Mas quando vemos as coisas mais atenção, vemos que esta visão das coisas é ingénua e mormente infantil. Na realidade, as aves cantam não para celebrarem o que quer que seja, mas para iniciar o acasalamento de forma a assegurar descendência, porque, senão fôr assim, não há novos indivíduos para garantir a sobrevivência da espécie. As plantas não deitam flor para nosso deleite, mas sim para assegurar que os insectos as polinizam, de modo a produzir semente. Nada está feito como dando impressão que se trata de uma celebração, toda a Vida (ou Natureza, se assim lhe preferirem chamar) está em constante azáfama a trabalhar para garantir que existe uma continuidade. Não é festa, não, é simplesmente, a Vida ter que garantir, a todo o custo, que este fenómeno maravilhoso chamado Vida e que existe praticamente desde a criação do planeta se mantém aqui pelo menos enquanto o planeta existir. É um trabalho sem fim, se ele não parar, toda a Vida terminaria num ápice.
O que parece ser uma alegria pelo início da Primavera, é, na realidade, nada mais que o início de uma longa jornada com grande custo e sacrifício para garantir que tenhamos descendentes.

sexta-feira, março 19, 2010

Voluntariado... vale a pena !

É a minha conclusão final depois da experiência que tive hoje no supermercado Pão de Açúcar das Amoreiras, como voluntário para fazer uma recolha alimentar para a casa de amparo de Santo António . Vesti o papel que para algumas pessoas é dos "chatos" que estão à entrada dos supermercados a pedir para fazerem "compras" que depois revertem para a instituição de caridade. Vesti o papel de "chato" e não fiquei nada aborrecido com isso. Estar do outro lado foi muito bom. Ser capaz de reagir à altura da reacção individual de cada um. Mesmo aos que dizem "nim" ou nem sequer esboçam uma única reacção eu dizia sempre o mesmo "Boa Noite, Obrigado", à espera que depois esta resposta negativa fosse compensada pelo gesto afirmativo de outra pessoa, essa sim, já disposta a dar a sua contribuição. Quando cheguei, já tinha a ideia que ia ter que tar a "chatear" todas as pessoas que iam entrando pela porta do Supermercado e a repetir sempre a mesma lengalenga "Quer contribuir para uma recolha alimentar a favor da Casa de Santo António, que apoia mães adolescentes e suas crianças ?". Acho que 2/3 das pessoas que abordei aceitaram, sendo que 1/3 ignorou o meu apelo. É natural, fiquei com vontade de repetir... senti-me útil fora do trabalho, ainda por cima numa altura em que estou numa fase de transição entre dois empregos, acabei um e estou em vias de começar outro, e nesta fase transitória de "férias" entre estes dois empregos, foi bom, mas muito bom, estar a fazer algo extremamente gratificante em prol de uma instituição de caridade. Por outro lado, fiquei a conhecer outra faceta minha, que já não me preocupo em levar uma resposta negativa dos outros. Não quer, não quer, acabou. Passa-se ao próximo, que já pode querer. E só tenho a agradecer ao Banco de Voluntariado de Lisboa pela oportunidade que me concederam! Depois de amanhã. no sábado, vou estar a colaborar na limpeza dos espaços públicos da minha terra natal, Cabanas de Tavira, no âmbito do projecto Limpar Portugal ! Isto foi bom, mas mesmo muito bom, para quebrar a rotina, e um gajo sempre fica a conhecer novas pessoas !

Saudades de ti, ò pai !

Hoje é dia 19 de Março, e eu sei que todos os anos este dia é dedicado especialmente a lembrarmo-nos do nosso pai. Mas acontece que eu já não tenho pai. Ele partiu de repente e sem dizer para onde ia já lá vão sete anos. E no sítio onde estiver, onde quer quer seja, eu não posso lá chegar, para oferecer o que eu teria para te oferecer !

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Este estranho fado...

Numa altura em que vou ter de encontrar novas coordenadas para a minha vida pessoal, dou por mim a escutar os melhores exemplares desse estilo musical que só existe cá, e que se chama fado. Não gosto de abusar dos fados coimbrões, extremamente melancólicos, porque senão sinto a minha alma a esmorecer. Mas, por vezes, é mesmo necessário !
Por detrás de figuras de vulto como Amália ou Carlos Paredes, qual será a razão para só em Portugal existir este estilo musical !?
Muitos das nossas grandes figuras literárias, desde Camões e principalmente Pessoa, sempre se interrogaram, na procura de uma definição do ser português. É um facto que somos um povo com uma identidade cultural extremamente forte, amadurecida ao longo dos nossos quase 800 anos de história. Ao contrário dos nossos vizinhos espanhóis, que na realidade se sentem mais andaluzes, galegos ou bascos do que propriamente "espanhóis", nós tugas, andamos às vezes em batatadas e brigas de bairro Norte/Sul, ou do Continente contra as ilhas, mas que não passam disso mesmo, apenas simples demonstrações de força sem intenção verdadeira de magoar, mas acabamos por amar-nos todos uns aos outros,e se calhar foi isso que se calhar impediu o derramamento de sangue no 25 de Abril de 1974.
Mas estou a dispersar-me do assunto que me levou a querer iniciar esta publicação: o que nos leva, portugueses, a evocar momentos tristes de forma tão bela e espirituosa. Será a nossa linguagem ? Temos tanta história, uma história de 800 anos, mas será realmente mais pontuada por momentos trágico/dramáticos do que felizes ? É por isso que cinco oitavos da nossa bandeira são da cor de sangue, para evocar essas tragédias ? Já nos demos ao luxo de dividir o mundo ao meio, com os espanhóis, mas actualmente voltámos ao nosso cantinho à beira-mar plantando, mantendo apenas as ilhas da Madeira e Açores como nossas como únicos vestígios da nossa fase épica. A afirmação da portugalidade terá de ser feita através da nossa língua, que está no "top ten" das línguas mais faladas em todo o mundo!
Parecemos estranhamente fadados a que os nossos momentos de felicidade sejam de extrema curta duração, porque tivemos o pássaro na mão e deixá-mo-lo fugir, no século XVI, se calhar porque nunca fomos muitos em nº de habitantes. Mas apesar disso, estivemos em todo o lado, atingimos o Brasil, a Índia, a Indonésia, China, Japão e roçámos a Austrália. Mas éramos poucos para poder manter tanto território na nossa posse. Não quero ser profeta do "Quinto Império", como Pessoa, mas realmente, este sentimento de pessimismo (ou de autocomiseração nacional, como lhe prefiro chamar), é praticamente genético. Estamos sempre a falar mal uns dos outros e de nós próprios, e a rebaixar-nos perante as outras nações, a copiar o que invejamos nos outros povos, desde o nível de vida dos escandinavos até ao samba brasileiro, ou mais recentemente, o Halloween dos povos anglófonos. Tudo corre mal, e vai sempre no mau caminho, e os momentos de felicidade deste país são sempre muito curtos, tal como o pequeno empurrão que a entrada na CEE a partir de meados da década de 8o, pautado pelos governos do senhor que agora é inquilino do Palácio de Belém. O facto do território conquistado aos mouros desde Afonso Henriques até ao seu bisneto Afonso III na Península parecer não ter sido suficiente para nos conter a todos como pessoas, como à nossa vontade, parece nos ter predestinado para sermos um povo de constante emigração. Não temos muitos recursos naturais, como ouro, o verdadeiro de nome e o negro, que há de muito noutras paragens, mas temos muitos outros recursos, talvez a vontade de não querermos deixar-nos vergar por este nosso estranho Fado, e de mostrar ao mundo que, afinal, depois de 800 anos, ainda aqui estamos, para levar e durar.
Vaiam por mim, experimentem: fado Tag Radio .

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Limpar Portugal

Não costumo muito fazer anúncios a campanhas aqui, no meu blog, mas só por esta ser uma causa que eu acho especial, acho que merece uma referência muito especial, de forma que merece aqui uma chamada de atenção. Trata-se da campanha "Limpar Portugal", que vai ter lugar em todo o mundo daqui a um mês, no dia 20 de Março. O que é necessário para juntar a este movimento é simplesmente força de vontade para concretizar um desejo, que é o de ver o espaço que todos nós partilhamos, a nossa rua, os jardins da nossa terra, as praias do nosso concelho, em suma, todos os belos espaços da nossa região, de forma a que possamos sentir-mo-nos orgulhosos de que estes maravilhosos espaços se encontram bem tratados! E, como ficou anteriormente realçado, a única coisa que é necessário é força de vontade em ajudar ! Todos são bem vindos! Não se trata de tirarmos o trabalho a todos os varredores municipais, mas a vontade de demonstrarmos que, por grandes causas, somos capazes de mostrar união para estarmos à altura. Eu vou lá estar, no dia 20, com a malta da minha terra, Cabanas de Tavira, para ajudar no que for preciso. A todos aqueles que pretendam aderir, inscrevam-se na rede do vosso concelho: http://www.limparportugal.org/ NOTA: para os habitantes de Cabanas de Tavira juntem-se ao grupo do Facebook .

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