Pois é, este é o meu último post neste blog. Termina aqui esta saga iniciada há sete anos, quando decidi inicar um blog que seria apenas "mais um" na face deste planeta, talvez o 1 321 434 645 545 434º blogueiro a aparecer. Mas este blog termina oficialmente hoje. A todos quanto o leram, muito obrigado pelo vosso interesse nas "proezas da minha vida", mas penso que, nas circunstâncias actuais, devido à reduzida frequência com que o actualizo, não vale a pena estar a preocupar em actualizá-lo. Não vou apagá-lo, mas já não vão saber novidades minhas por este intermédio. A partir de hoje, vou ser apenas um anónimo cujos acontecimentos de vida serão banais e não merecem que eu perca mais tempo a relatar o que foi.
Uma vez mais, obrigado pelo vosso interesse e até à próxima, até "eu passar por aí", como diz o Rio Veloso ao encerrar os concertos dele.
Quando era miúdo, disciplinas como Geografia, História, Biologia, eram para mim "papa", porque, em boa grande parte, era a repetição daquilo que, em grande medida, eu já sabia (em virtude de eu sempre ter sido um grande curioso desde miúdo, mas isso é história para outra altura), mas haviam outras que me davam mais dificuldades, que não baseavam em simples "marranço". Tais eram a Matemática, o Português, a Educação Física e a Economia. Principalmente esta última, se bem que também fosse baseada em "empinanço", tinha conceitos básicos que eu tive dificuldade em entender, desde o princípio. Coisas como "bens e serviços", "Produto Nacional Bruto", "Balança Comercial", "salário real", coisas que têm a ver com a vida de todos nós mas apenas enquanto adultos, pareciam demasiado distantes da realidade para um miúdo de catorze. E isto, em grande parte, acho eu, porque eu nunca tinha experimentado o que é o mundo lá fora, em que eu haveria forçosamente ter de viver mais tarde ou mais cedo, quando teria sozinho, mais tarde ou mais cedo, de construir o meu caminho. Foram precisos alguns anos, e só após finalmente ter conseguido entrar na vida activa do mercado de trabalho, coisas como apresentar obra feita, auto-sacrifício, encaixe numa equipa, é que aos poucos foram trazendo para mim a compreensão última dos conceitos de Economia que eu no princípio tinha dificuldade em compreender. Até na teoria, existem conceitos abstractos que não se tornam evidentes para quem não tenha experimentado o contexto onde eles surgem. Penso que as crianças, antes dos 14 anos, deveriam experimentar o que é ser capaz de empreendedor, pegar numa ideia e desenvolvê-la, perante o mundo real. Pelo menos para mim, uma criança que esteve no ensino do princípio da década de 90 no ensino português, as coisas não foram ao princípio assim tão simples.
Pedem-me novidades, mas eu não tenho novidades para dar. Apenas notícias de sobrevivência. Estou resignado e entristecido pela minha actual situação. Ainda continuo na dúvida pela decisão que tomei, se foi certa ou errada. Fiz aquilo que aquilo que qualquer pessoa, que tenha amor á sua vida, teria de fazer. Se eu fosse um suicida kamikaze, teria optado por manter a vida anterior que levava. Ao menos saberia que não ficaria inteiro por muito mais tempo. Teria muito menos anos de vida. Ou poderia chegar a um ponto em que ficaria de tal forma afectado que nunca mais conseguiria auto-repararar-me. Optei pela via da insegurança e do incerto, mas aquela que me daria ter oportunidade de ainda ter alguma vida de melhor estado. Continuo, pelo tempo que decorreu, sem saber se fiz bem ou se fiz mal. Apenas quanto mais tempo passar, saberei a resposta mais provável. Ou talvez nunca venha a saber a resposta a essa pergunta. Uma coisa que neste momento não me preocupo em pensar é o futuro. Mas tenho de viver com ele. Vocês que me conhecem e que demandam este blog em busca de novidades minhas, fiquem sabendo, apesar de tudo, que estou bem, mas desanimado, mas mesmo muito desanimado, e tenho que ir ao mais interior dos meus interiores buscar energias impossíveis que me dêm vontade de continuar a lutar. Às vezes tenho simplesmente vontade de baixar os braços e acabar com tudo, de uma vez. Não vou levar este texto longe demais, porque tenho receio do que viria a dizer a seguir. Não seriam palavras nada agradáveis. Provavelmente seria capaz de escrever mais um parágrafo, mas, depois, arrependido do que viria a escrever e sabendo que todos estes soçobrares são públicos, temo que levaria muita gente a ficar com o credo na boca! Não vou falar mais de mim, o que acima ficou exposto chega... ! Até mais...
é talvez o que neste momento mais precisamos. Esperança que consigamos fazer frente aos desafios que temos pela frente. O momento de hoje foi extremamente marcante, porque o actual presidente da República era reempossado para um novo mandato e esperava-se um discurso fracturante que motivasse toda a gente dos mais variados campos políticos e fosse um discurso acima de tudo, mobilizador para os jovens.
E é verdade que o presidente da república assim o fez. Fez um discurso à altura do momento. Fez os alertas e os puxões de orelhas que tinha de fazer, e fez um grande incentivo aos jovens, chamando à atenção da geração dos que dirigem o país para não inviabilizar o futuro da geração que está agora a inicar a vida activa.
Mas, para grande pena minha, e uma vez mais, voltei a assistir a um país dividido, espelhado no parlamento, eleito pela vontade de nós todos, enquanto cidadões que participamos num acto eleitoral.
Todos arreigados às suas ideologias do costume, e sem vontade de abdicar daquilo que em sempre acreditaram. Metade do parlamento pura e simplesmente ficou calado e impávido depois do terminado o discurso de Cavaco Silva.
Fiquei aborrecido. Num momento destes, extremamente complicado, em que se pede aos jovens que sejam a solução para o problema de nós todos, vemos em vez disso, tudo na mesma. Não há capacidade para mudar. Vontade de tomar compromissos a pensar no bem de todos nós, enquanto nação.
Por isso tenho muita pena em que, num momento tão complicado, continuemos iguais ao que sempre fomos: de candeias às avessas, e sem vontade de mudar. Que puséssemos de lado as noças diferenças ideológicas, e que déssemos a mão à palmatória, e nos uníssemos em torno de um ideal comum: salvar o nosso país.
Mas não. Tudo continua igual ao antigamente. Todos a repetir e a proferir os mesmos discursos. Sócrates a desculpar-se com o mal dos outros. Nada a fazer. Temos de tomar uma atitude, enquanto jovens, é mostrar que não queremos receber, quando chegar a nossa altura, de receber um país hipotecado e que seja como um colete de forças. Temos de nos unir e pôr de lado as nossas diferenças individuais. Entender que quando nós lutamos que somos capazes. E para isso precisamos, acima de tudo, ideias. É preciso que os nossos jovens altamente qualificados não fujam para o estrangeiro em busca de uma vida melhor, e são eles que podem ser a fonte dessas ideias. É preciso, acima de tudo, vontade de acreditar. Mas para isso precisamos, acima de tudo, neste momento, de ideias, de forma que seja possível sustentabilizar o nosso país.
Eu vou estar no protesto de sábado. Contem comigo ! Contem connosco !
Para quem ainda não sabe, fica a saber, é verdade, estou de regresso ao berço ! Isto porque a minha situação em Lisboa, ao fim de 5 anos mas mais em resultado do contexto de trabalho em que me encontrava, estava a atingir um ponto limite em termos de stress e eu a ficar com a ideia de que a minha saúde estava a vir por aí abaixo. Por isso decidi despedir-me, porque com a saúde não se brinca. E, sinceramente, se para manter um trabalho, teria de destruir a minha sanidade mental, prefiro ficar desempregado e ao menos estar satisfeito com as coisas que venha fazendo, desde que a minha mente esteja desanuviada para ir procurando um novo rumo para a minha vida.
Não descartei ainda a hipótese de me manter em Lisboa, mas essa hipótese afigura-se cada vez como menos possível, devido às minhas circunstâncias complicadas de stress de vida na capital.
Numa altura em que a maior parte das pessaos receiam o aumento do desemprego decorre da insolvência das empresas e falta de oportunidades de trabalho, receio que vá engrossar as fileiras do desemprego, não em resultado de despedimento, mas por inadequação da minha pessoa na minha actual profissão que, passo a recordar, é de programador informático. Ao fim de quase cinco anos tenho a sensação que estou atingi um beco sem saída e, ao estar num projecto com metas de tempo irrealistas, e devido à minha instabilidade profissional (nos últimos 9 meses estive em 3 empresas diferentes!)
Nome:
digfish De:
Cabanas de Tavira, Algarve, Portugal Sobre mim:
Nascido na capital algarvia no último dia disponível do signo de Leão do único ano do século vinte com dois setes seguidos.
Descendente directo em linha directa do criador da arte da teia usada para capturar polvo, mas que infelizmente não se lembrou de a patentear (agora era milionário).
Criado numa ex-aldeia de pescadores de atum, (re)convertida em estância balear paradisíaca no Sotavento Algarvio. Querem saber mais ? Leiam o resto do blogue !