Quando era miúdo, disciplinas como Geografia, História, Biologia, eram para mim "papa", porque, em boa grande parte, era a repetição daquilo que, em grande medida, eu já sabia (em virtude de eu sempre ter sido um grande curioso desde miúdo, mas isso é história para outra altura), mas haviam outras que me davam mais dificuldades, que não baseavam em simples "marranço". Tais eram a Matemática, o Português, a Educação Física e a Economia. Principalmente esta última, se bem que também fosse baseada em "empinanço", tinha conceitos básicos que eu tive dificuldade em entender, desde o princípio. Coisas como "bens e serviços", "Produto Nacional Bruto", "Balança Comercial", "salário real", coisas que têm a ver com a vida de todos nós mas apenas enquanto adultos, pareciam demasiado distantes da realidade para um miúdo de catorze. E isto, em grande parte, acho eu, porque eu nunca tinha experimentado o que é o mundo lá fora, em que eu haveria forçosamente ter de viver mais tarde ou mais cedo, quando teria sozinho, mais tarde ou mais cedo, de construir o meu caminho. Foram precisos alguns anos, e só após finalmente ter conseguido entrar na vida activa do mercado de trabalho, coisas como apresentar obra feita, auto-sacrifício, encaixe numa equipa, é que aos poucos foram trazendo para mim a compreensão última dos conceitos de Economia que eu no princípio tinha dificuldade em compreender. Até na teoria, existem conceitos abstractos que não se tornam evidentes para quem não tenha experimentado o contexto onde eles surgem. Penso que as crianças, antes dos 14 anos, deveriam experimentar o que é ser capaz de empreendedor, pegar numa ideia e desenvolvê-la, perante o mundo real. Pelo menos para mim, uma criança que esteve no ensino do princípio da década de 90 no ensino português, as coisas não foram ao princípio assim tão simples.
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